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O Poema de Kadesh
1274 a.C. Ramsés II lançou o exército egípcio contra o império hitita junto ao rio Orontes, na batalha que a propaganda real transformaria no maior triunfo do seu reinado. Nos templos, a pedra regista uma vitória absoluta. Nos papiros escondidos dentro da sandália de uma escriba, fica registada outra coisa.Neferet copia de dia os hieróglifos que glorificam o faraó e escreve de noite, em segredo, os nomes dos mortos que os relevos preferem esquecer. Kah conduz um carro de guerra e aprende que sobreviver a Kadesh custa mais do que qualquer condecoração explica. Tadu serve os hititas como intérprete e descobre que a paz, tal como a guerra, também se negocia em segredo, mesmo com quem devia odiar. Sebek guia caravanas entre dois impérios e sabe, melhor do que qualquer general, que nenhuma fronteira sobrevive ao deserto que a rodeia.Ao longo de quinze anos, entre a batalha e o tratado de paz mais antigo alguma vez preservado até aos nossos dias, quatro vidas cruzam-se para lá do que os monumentos contam. O Poema de Kadesh segue quem escreveu a história oficial do Antigo Egipto e quem se recusou a deixar que fosse a única versão a sobreviver.
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