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Quem Pode Dar Um Golpe? — Renato Almeida de Moraes

Quem Pode Dar Um Golpe?

Yayıncı Independently Published
Sayfa 242 sayfa
ISBN 9798190810363
Dil Türkçe

Em 8 de janeiro de 2023, uma multidão invadiu as sedes dos três poderes em Brasília. Em setenta e duas horas o episódio já tinha um nome, e o nome era o mesmo em todas as línguas: tentativa de golpe de Estado. O relatório policial que documentou a trama de dezembro de 2022 só chegaria em novembro de 2024. Entre o nome e a prova decorreram vinte e três meses.Este livro não contesta os fatos, não contesta a gravidade e não contesta a validade da condenação. As três coisas são concedidas nas primeiras páginas e mantidas até as últimas. O que ele contesta é uma inferência: a de que, tendo o tribunal aplicado um tipo penal chamado golpe de Estado, o evento pertence à categoria que a ciência política comparada nomeia com essa palavra.São duas operações distintas. O direito imputa: atribui a pessoas determinadas uma conduta que a norma alcança, e pode punir a tentativa com a pena da consumação. A ciência política descreve: agrupa eventos por mecanismo, e a sua categoria exige que o deslocamento da autoridade seja praticado por quem já dispunha dos meios de coerção do Estado. Um ordenamento pode punir a conspiração como se fosse consumação. Nenhum instrumento de medida pode contá-la assim sem destruir a própria série.Ao pressuposto que combate, o autor dá um nome: princípio de equivalência categorial, a suposição praticada correntemente e nunca examinada de que a qualificação penal e a classificação comparada nomeiam a mesma coisa. O percurso integra seis procedimentos, declarados capítulo a capítulo. A história do conceito em quatro linhagens.O exame dos seis principais instrumentos que medem golpes no mundo. Uma comparação controlada da série brasileira, de 1954 a 2022, que mantém constante a instituição militar. A reconstrução do dia 8 hora a hora, com teste formal e hipóteses rivais. A análise dogmática dos artigos 359-L e 359-M. E a crítica hermenêutica que conduz à pergunta final. Inclui codificação própria: as regras publicadas de seis instrumentos aplicadas a sete episódios brasileiros, célula a célula, com os limites declarados.Do exame nasce a pergunta que dá nome ao último capítulo, e que é a mais antiga da teoria do Estado. Quem controla os controladores? Se há um órgão cujas decisões ninguém revê, o que impede que o conteúdo dos conceitos que ele emprega seja aquilo que ele decidir que seja? A resposta oferecida aqui é modesta e verificável. Nenhum padrão externo revoga decisões, e nenhum retira competência a quem julga.O que ele faz é tornar auditável o fechamento provisório do sentido, e impedir que autoridade institucional seja confundida com autoridade sobre o objeto. A última palavra jurídica é última no plano institucional, e não no epistêmico. O critério aqui defendido desagrada a todos os campos, e é essa a sua única credencial. Retira o rótulo do 8 de janeiro de 2023. Retira-o também do impeachment de 2016. E o aplica ao movimento militar de novembro de 1955, que a memória cívica brasileira absolve.Ao fim de cada capítulo, o autor enuncia as condições em que estará errado. São trinta e seis, reunidas na tabela final. Um argumento que não diz como pode ser destruído não é um argumento.

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